Entre sem bater...

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sábado, 26 de março de 2011

Um xamã

   Sonhei...
Há tempos não saía...
   Longe daqui, um xamã animalizado me visitou...
Profetizou barbáries, desgraças, todo e qualquer 
   tipo de intempéries que se possa imaginar,
e deitando as agora mãos úmidas sobre minhas têmporas, 
   abençoou-me após uma longa tragada de cachimbo...
Derramou em mim a densa fumaça dos pulmões, 
   que Idiotizado caí de joelhos...
Sorri como um tolo ao sorver o elixir viscoso e amargo
   gentilmente oferecido na cumbuca de barro...
Involuntário os lábios balbuciam talvez palavras em 
   idioma que desconheço...
Adormece os sentidos...
   Ao redor interminável pradaria ondulava, 
alinhando-se ao cântigo ritmado 
   que brotava da terra...
Meneei a cabeça lá e cá servindo-me de esforço extremo 
   na busca em vão de qualquer coisa, algo ou alguém...
Nada, ninguém...
   Nada além de mim e pequenos repentes de alegria
alternados a uma angústia crucificante 
   que logo me faria voltar...

Um comentário:

  1. Forte Lê.

    Denso... Posso ver o que escreve. Gosto demais.

    Beijo, escreva muitooooo!

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